segunda-feira, 20 de junho de 2011

Editorial                     Para conhecer melhor o Novo Ministro da Educação



             Nuno Crato, o matemático que deu protagonismo à ciência exata e se distinguiu pela sua divulgação, é o novo ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência. Terá de poupar 195 milhões de euros e reduzir pessoal num setor com mais de 10 sindicatos de professores.

Nascido em Lisboa, em 1952, onde se licenciou, é atualmente presidente executivo do Taguspark, em Oeiras. Professor catedrático e pró-reitor da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), começou por dar aulas no Ensino Secundário. Viveu em Lisboa, nos Açores e nos Estados Unidos da América, onde fez o doutoramento em Matemática Aplicada (1992), depois do mestrado em Métodos Matemáticos para Gestão de Empresas (1987), na capital portuguesa.

Foi também em Lisboa que se licenciou em Economia (1980/81), no Instituto Superior de Economia.
É autor de um vasto conjunto de publicações, entre artigos em revistas científicas e livros que tornaram a matemática acessível a todos e o popularizaram entre os mais jovens. Para essa popularidade contribuiu também o cargo de presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), que ocupou desde 2004 e que deixou para Miguel Abreu, nas últimas eleições, após assumir funções de administrador do Taguspark, no ano passado. Mantém-se na SPM como presidente da Mesa da Assembleia-Geral, prometendo continuar a escrever e a
divulgar a matemática.
Em 2008, foi condecorado pelo Presidente da República com a comenda da Ordem do Infante Dom Henrique.
A União Europeia atribuiu-lhe, no mesmo ano, um prémio de comunicador científico do ano.
Crítico da educação em Portugal, defendeu nas várias entrevistas que deu a necessidade de medidas urgentes no ensino da matemática, sugerindo alterações na estrutura do Ministério da Educação, como a extinção do gabinete responsável pelos exames e pelas estatísticas, que quer ver entregues a uma entidade independente.
Nuno Crato tem pela frente mais de uma dezena de sindicatos de
professores, constantes ameaças de greve e um plano de austeridade que envolve a criação de mais mega agrupamentos e redução de pessoal. Para cumprir as medidas inscritas no memorando de entendimento assinado com a troika (UE, FMI e BCE), o novo ministro vai ter de poupar 195 milhões de euros na área da Educação.
Para 2013, o documento aponta o aprofundamento de medidas, com vista a poupar mais 175 milhões de euros. As escolas públicas deverão obter financiamento com base na evolução de desempenho e na prestação de contas.
O Governo deve elaborar um plano para melhorar a qualidade do
ensino secundário, nomeadamente através da generalização de "contratos de confiança" com as escolas públicas, para as quais se recomenda mais autonomia.
Simultaneamente, exige-se o reforço do papel fiscalizador da Inspeção-Geral da Educação.
O financiamento com base em contratos programa, como já acontece com algumas universidades e hospitais, havia sido defendido pelo Conselho Nacional de Educação.
Mantém-se o objetivo de combater a baixa escolaridade e o abandono escolar precoce, de melhorar a qualidade do ensino e da formação.
Está prevista a criação de um sistema de análise, acompanhamento, avaliação e comunicação para aferir com
precisão os resultados das políticas de educação, nomeadamente as que já estiverem em vigor para contenção de custos.

                                 O Coordenador do Clube de Jornalismo

Prof. Max Teles