Editorial
O acto de escrita é um momento único, irrepetível, por vezes, solitário. No entanto, encerra nele próprio uma mundividência avassaladora, pois quando escrevemos sobre algo, nunca é um acto inocente, a ele acorre, não só no tema a desenvolver, como também nas tendências pessoais daquele que escreve. Assim, sub-repticiamente o cunho pessoal do “escriba” sulca irremediavelmente o que aparentemente deveria ser a realidade.
Este novo ano lectivo apresenta-se obscuro, repleto de nuvens negras a pairar sobre a comunidade educativa – esta crise global afecta alunos, encarregados de educação, funcionários, professores e instituições.
Os telejornais entram pela nossa casa com notícias escabrosas, dignas de um filme americano apocalíptico, em que o fim dos tempos se aproxima, apregoado aos quatro ventos pelos mensageiros da desgraça. Esses mensageiros estão disfarçados, mascarados, mas não passam de novos «agiotas» que vêem na usura o seu ganha-pão.
Cabe a cada um de nós zelar pelo futuro das nossas crianças, relembrando aos políticos que parte da situação actual é da sua inteira responsabilidade – estar no poder não é pavonear-se, é pelo contrário estar ao serviço das populações! Sobretudo quando elas mais necessitam… é o caso!
Esta greve geral é um grito de revolta sem eco, provavelmente um enorme retorno financeiro para estado, já que, para além da nossa desgraça, o estado vai amealhar mais uma substancial quantia dos nossos parcos ordenados – já não falo dos cortes salariais que aí vêm em Janeiro de 2011 (excepção nos Açores) – um verdadeiro atentado à dignidade humana!
Se um médico errar no diagnóstico - o paciente pode falecer, se um arquitecto ou engenheiro elaborar um projecto com deficiências – o edifício pode desmoronar, mas se a um professor lhe forem retiradas as suas competências, reprimidos os seus anseios e entrar na vulgarização – todo um país pode colapsar.
Isto dá que pensar! Até Breve - «VIVA A EDUCAÇÃO».
O coordenador do Clube de Jornalismo
Prof. Max Teles